Ángela Morgan

Belíssima ilustração do meu cabeçalho é da ilustradora - Ángela Morgan

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sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Mas eu tenho a esperança em meu olhar

Uma vez por semana faço um post sobre histórias de janelas.
Histórias de janelas nº 17
A Janela
Da janela olho o caminho 
Por onde você foi embora 
Na esperança que por ele 
Você volte a qualquer hora 
Mas é tudo ilusão 
Nesta casa só mora a solidão 

Tristeza é só o que restou 
Desde que você partiu 
Mas eu tenho a esperança em meu olhar 
Que um dia de minha janela 
Eu veja você voltar 

Por que me deixou assim 
Sem saber o que faço de mim? 
Vivendo a te esperar 
Vou vivendo por viver 
Com essa dor que não quer sarar 
No meu coração que só quer sofrer 

Por um instante pensei 
Ter visto ela chegando, mas me enganei. 
Nesse caminho que vejo em minha janela 
Eu não sei por quanto tempo ainda 
Vou esperar por ela 

Amara Mourige

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Uma vida através do olhar.

Uma vez por semana faço um post sobre histórias de janelas.
Histórias de janelas nº 16

Uma janela para a vida.

Um olhar pela janela. A vida entre molduras.
Sob a perspectiva interna enxerga-se o mundo através da janela. Os limites escondem as infinitas possibilidades, enxerga-se o que se pode enxergar.

Do lado de fora o que se observa é apenas o observador e observado, pouco pode se ver além disso. Mas existe um universo por traz desta janela.

Ali está você. Na janela observando a vida e sendo observado.
Conseguimos ver a vida através de quadros, molduras, como diria o artista: “pela janela do carro, pela janela do quarto, remoto controle...”

Abrir a janela é se abrir. Entrada de luz. O mais importante não é a paisagem oferecida, mas ver o que se iluminou no lado de dentro. Podemos ver então o que estava entre sombras. Exercício de observar...
Observar o que nos oferece fora dela; outras janelas, janelas abertas, janelas fechadas... janelas.

Uma vida através do olhar.
Podemos não mais olhar.
Sem olhos, sem olhar... Apenas sentir.

Então não há janelas, não há ruas, não há paisagens, não há muros... há apenas o universo inteiro para você.
Uma vida através do sentir e então começar a entender aquilo que chamamos de vida.

Danilo Rosas



 Amara Mourige

domingo, 28 de julho de 2013

Janela, meu canto de encanto...

Uma vez por semana faço um post sobre histórias de janelas.
Histórias de janelas nº 15
DA JANELA, VEJO O MEU LUGAR!

Através da vidraça de minha janela, abre-se a vista de meu horizonte.
É meu canto de encanto, visto de meu recanto, neste domingo de pachorra, mandriice.
Vejo as nuvens silenciosas que passam e nelas correm meus sentimentos.

Da janela vejo e sinto os primeiros raios de sol a me acariciar a tez na boa sensação.
Ouço o murmúrio do vento que sopra, vejo a jovem banda de pífaros a passar, sinto à melodia e o perfume do ar.

Vejo a revoada alegre dos pombos a vaguear em voo simultâneo e festivo.
No elevado de minha janela, vejo a copa das árvores em sua verde ramagem convexa, O vermelho inclinado dos telhados e o barulho urbano louco alucinado.

Na linha do horizonte, vejo o límpido formato azul das serras na proeminência dos montes. È lá que o sol no ocaso real se esconde.
Na obscuridade que chega à brisa um pouco mais fresca, sob a claridade dos iluminantes, crianças brincam no asfalto a ignorar o trânsito.

A cortar o silencio da noite, o rumorejo dos passantes, vozes de motores, gritos de buzinas, latidos dos cães, numa mistura de ruídos em pulsar de ressonância e sonoridade.

Do elevado de minha janela, sinto que tudo que nos cerca é o cotidiano da vida, ladeado nas casas e prédios de minha rua, em circulação urbana de diferentes sentimentos.É a harmonia oscilante da dura realidade, ao doce da ilusão a movimentar aqui de meu lugar, a marcha de alguns destinos.

Amara Mourige

domingo, 21 de julho de 2013

Janela é o bater das asas da borboleta amarela.

Janelas, através delas, sonhamos e temos maravilhosas inspiração poética, 
para nossos olhos e nossa alma.

Uma vez por semana faço um post sobre histórias de janelas.
Hoje trago uma linda poesia de Adélia Prado 

Histórias de janelas nº 14
Janela, palavra linda.

Janela é o bater das asas da borboleta amarela.
Abre pra fora as duas folhas de madeira à-toa pintada,
janela jeca, de azul.

Eu pulo você pra dentro e pra fora,
monto a cavalo em você,
meu pé esbarra no chão.

Janela sobre o mundo aberta, por onde vi
o casamento da Anita esperando neném,
a mãe do Pedro Cisterna urinando na chuva,
por onde vi meu bem chegar de bicicleta
e dizer a meu pai: minhas intenções com sua filha

são as melhores possíveis.

Ô janela com tramela, brincadeira de ladrão,
claraboia na minha alma,
olho no meu coração.

[Adélia Prado]
Gente, estou melhor da gripe.Obrigada pelo carinho!

Beijos e até a próxima!


domingo, 14 de julho de 2013

Olhar a vida pela outra janela.

História de Janelas nº 13

Olhar pela outra janela
Certa vez, uma menina de quatro aninhos estava de pé em cima de uma cadeira e debruçada na janela de sua casa, chorando, vendo o jardineiro, no quintal, enterrando o seu cão de estimação que tinha morrido.


O avô aproximou-se dela, envolveu-a em um carinhoso abraço e lhe disse: "Triste a cena, não? " 
A netinha chorou mais ainda e as lágrimas corriam dos seus olhos.

O avô pegou sua mãozinha e a conduziu para outra janela, do outro lado da casa. Lá, mostrou-lhe o jardim florido. Apontou para uma roseira e disse: "Lembra-se quando você me ajudou a plantar aquela roseira?"


A menina enxugou as lágrimas, abriu um belo sorriso e disse para o avô, que tinha a vista fraca: "Observe bem que o senhor vai ver uma linda borboleta assentada na roseira".

Aquele senhor usou uma excelente tática para recuperar a alegria: Olhar a vida pela outra janela.

Porque a nossa vida é como uma casa com várias janelas. Quando uma delas nos causa tristeza, devemos dirigir-nos à outra. Isso não é fuga, mas é ver a vida no seu conjunto.


Amara Mourige

domingo, 7 de julho de 2013

As janelas e portas da vida...

O texto de hoje  é da amiga Chica , "As janelas e portas da vida"...
Temos que ficar atentos as frestinhas que abrem em nossas janelas e aproveitarmos as oportunidades que surgem.
Histórias de Janelas nº 12
"Em nossas vidas temos muitas frestas, portas , janelas que se abrem...
Quando deixamos escapar uma oportunidade, não adianta nos trancar.
Temos que ir à luta novamente, e naturalmente outra "frestinha" se abrirá e através dela poderemos ver mais luz...
Isso acontecerá sem que nos apressemos, será com calma...
É sempre muito bom imaginar que temos à nossa frente algo nos esperando...

Mas isso não significa também, que se deixe escapar tudo que aparece, pensando na outra chance que vamos ter.
Acho que temos um "estalinho" que nos faz o "clic" e aí, vamos em frente...
Que se possa ouvir esse estalinho sempre e então, melhor aproveitar todas as frestinhas e janelões que se abrem para a luz, sem que fiquemos na "escuridão"...(Chica)
Imagem daqui:


 Amigas escritoras, se quiserem enviar textos de histórias de janelas, para colocar no meu blog, vou ficar muito feliz e agradecida.Obrigada.
Amara Mourige

domingo, 30 de junho de 2013

A todas mulheres que nos fascinam e nos ensinam a amar...

História de hoje é sobre um homem  apaixonado e romântico.
Histórias de Janelas nº 11
A mulher da janela
A mulher da janela que fica a me ver passar o que será que ela está a imaginar pois todo dia esta lá a me esperar e com seu olhar vago e distante se põe me acompanhar num ritual diário de sedução e dominação afeiçoando cada vez mais meu pobre coração que se delicia com seus olhos de jabuticaba a me mirar, seus lindos cabelos negros e seus belos e fartos seios derramados sob o peitoril parecem me chamar que coisa maravilhosa e daqui de baixo poder te olhar e com breves impulsos nesses instantes te desejar minha terna e doce vigilante de meus ríspidos passos errantes ao longo de um breve caminhar porque sempre ela esta lá serás tu uma anja a me guiar ou uma santa que ira me abençoar linda e bela mulher da janela que aprendi a admirar será que um dia vais abrir sua porta para eu entrar e poder te amar....
Arcanjo Miguel
A todas mulheres que nos fascinam e nos ensinam a amar;
Se preciso fosse daria todas minhas costelas para Deus recriar-las novamente.


Amara Mourige

domingo, 23 de junho de 2013

A JANELA E O CAMINHO

Uma vez por semana faço um post sobre histórias de janelas.
A história de hoje é sobre uma jovem senhora que sonhava encontrar o Amor.
Histórias de janelas nº 10 
A JANELA E O CAMINHO
Pela estreita janela, a jovem senhora sonhava encontrar o Amor.
Um belo dia, o rotineiro passante perguntou-lhe:
- Senhora, o que faz tanto parada nesta fresta?

A senhora então respondeu: 

- Estou à espera do amor.

O passante seguiu seu caminho.

Três anos depois, enfastiado pela mesma paisagem, o passante dirigiu-se novamente a senhora:
- Senhora pelo que vejo o Amor ainda não lhe deu as caras.
A senhora não se esforçou para responder, apenas olhou com desprezo.

Ele então ofendido por tal olhar alterou o tom ao dizer:
- A senhora é tola, permanece anos e anos na mesma janela a espera de algo que sabemos nunca irá encontrar!

A senhora respirou fundo e com delicadeza respondeu:
-Que diferença existe entre a mesma janela e o mesmo caminho?


Amara Mourige

sábado, 15 de junho de 2013

O que vês através dos vidros?

Histórias de Janelas nº9

A janela e o espelho
Um jovem muito rico foi ter com um rabi, e lhe pediu um conselho para orientar sua vida. Este o conduziu até a janela e perguntou-lhe: - O que vês através dos vidros?

Vejo homens que vão e vêm, e um cego pedindo esmolas na rua. Então o rabi mostrou-lhe um grande espelho e novamente o interrogou:

Olha neste espelho e dize-me agora o que vês.

Vejo-me a mim mesmo.

E já não vês os outros! Repara que a janela e o espelho são ambos feitos da mesma matéria prima, o vidro; mas no espelho, porque há uma fina camada de prata colada a vidro, não vês nele mais do que a tua pessoa. Deves comparar te a estas duas espécies de vidro. Pobre, vias os outros e tinhas compaixão por eles. Coberto de prata - rico - vês apenas a ti mesmo.

Sê vales alguma coisa, quando tiveres coragem de arrancar o revestimento de prata que tapa os olhos, para poderes de novo ver e amar aos outros.
Autor desconhecido

Amara Mourige

sábado, 8 de junho de 2013

Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.

Histórias de Janelas nº 8
Não basta abrir a janela
para ver os campos e o rio.
Não é o bastante não ser cego
para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há idéias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.

Amara Mourige

domingo, 26 de maio de 2013

Deitada e absorta contemplo minha janela.

Histórias de Janelas - nº 7
Conto - A Janela.
Deitada e absorta contemplo minha janela. Vidros transparentes me deixam ver o exterior do dia, da noite, da madrugada. Estou em sintonia com a sua transparência. Nela vejo o infinito do tempo. Vejo o mar, sem molhar meus pés na água. Vejo o trem que vem, que parte, que para na estação. Da janela transparente vejo o meu interior. Vejo meus olhos viajarem por ai. Vejo até a gaivota. Ah! As gaivotas.

Lavar as palavras através do tato e perguntar como as gaivotas voam. Elas apenas voam por ai, por si. Por mim. Por nós. Voar sempre requer sacrifícios. Voar sempre me lembra leveza, me lembra liberdade. De repente da janela, sou uma gaivota. Procuro os mistérios da vida lá fora. Vida e morte, natureza e sonhos. Vento e tempestades. Sol e lua.

Da janela posso chorar sem rumo pelo chão seco. Secar as lágrimas – as lágrimas da noite. Lágrimas das saudade, ou talvez de alguma partida inexistentes. Sentir os olhos marejados da dor. Posso até chorar de emoção, lágrimas que vem do nada.

Da janela posso sorrir sem compromisso ao ver que estou dentro de um espaço imaginário. Posso lembrar-me de alguém e verter em risos e gargalhadas.

Projeto as cores do lado de fora para dentro. Emparelho-as ao redor do meu quarto Não tenho tempo para crer que a vida corre lá fora e eu estou no interior do meu interior, indagando como seria se o mundo fosse interpelado pela luz que entra pela janela do meu quarto. Luz azul, luz lilás, fugaz. Sombras que tomam corpo movimentam-se pela fresta dessa janela. Janelas transparentes que até o vento ultrapassa o movimento. Emudeço e tento tatear. Tento o contorno das sombras pretas que se transformam em cores e tons invariáveis. Tentativa inútil, já que a sombra se move em direção ao vazio do meu quarto. Quarto verde e quadrado.

Faço poesias azuis meio gregoriano, para constatar a emoção de sentir as palavras brotarem dentro de mim. Elas vêm através daquela janela absorta e vazia. São meus gestos chamando, meu corpo clamando, minha vida reincidindo prismas da imagem que vejo do meu quarto verde e quadrado – na janela.

Se meu corpo fosse um tema eu falava, falava algo inevitável aos desejos que tomam posição de mim para mim. Nada sério, nada que foge o normal do normal. O que torna paranormal. Os espaços que contorno é redondo, cheio de curvas e calor. Mas de que adianta se não tenho voz. O que adianta a janela se o som do silencio perde-se no eco dos meus murmúrios sem anexo, sem nexos, sem reflexos. Tudo natural, tudo tão frágil, como se o timbre dessa voz pudesse quebrar a qualquer momento a monotonia das cordas vocais. É compreensível o que posso pensar se soltar meus tons sobre os sons que tento delinear olhando a janela. Tento não pensar em nada, além do espetáculo visto de dentro pra fora, de fora para dentro, da janela que debruço.

É noite, é dia, faz-se à tarde, confundo-me com o por do sol. Entendo-me como parte integrante de um jogo de luz. Sou partícula fundamental que compõe esse universo da janela e eu. Eu e a janela, nem sei mais qual é a ordem dessa sintonia, mas sei que esse momento é meu. Nem o retrós dos nós que tento dá. Calar-me diante do que vejo! Não sei. É anular meu desejo transitório. Transitório, aleatório, são histórias de uma janela transparente, vista por um olhar. O meu olhar. Mas é como se eu mergulhasse, nadasse nas profundezas do som.

Interessei-me pelo meu abismo de rosas. Nada a declarar quanto ao perfume que sinto. Eu apenas venho de um mundo incompleto. Completo com o oásis e absorvo o oceano. Absorvo aquela janela, feito uma aquarela de cores. Feito uma moldura pintada pelos meus sentidos. Fotografadas pelas mãos do destino.

Minha mente acaba de parir frases soltas e estrábicas. Concebo um acordo – acordo esse de acordar. Da janela, ouço James Taylor sem importar com nada. Nada é relativo – o que penso agora é exato. Exatamente como deixei antes de partir. Avistei o tempo frio, senti o calor do quarto quadrado, respirei profundamente e do meu profundo veio uma tempestade de palavras, como se dele brotasse pensamentos. Pensamentos vagos, pensamentos tateados pela noite que avisto da janela... Pensamento claro feito o dia que avisto. Pensamentos cinza, azul, multicores. Pensamentos indefinidos.

Da janela senti o calor do lado de fora, arrepiei de prazer, não busquei a perfeição do que vejo, mas sinto a imperfeição dos meus dias correrem para o mar. Senti ondas de letras atravessarem o espelho do meu quarto, senti, senti o som cristalino. Senti a janela do lado de fora para dentro e de dentro para fora, me senti. Então alcancei o ritmo do silêncio. Respirei aliviada e a fitei novamente. De repente ela me pareceu muda, quis convencê-la de que o papel dela é separar o infinito do tempo seco para o úmido, do calor para o frio. E ela permaneceu muda, sem pensamentos, implorando que pensassem por ela. Implorando que a fizesse parte de algum mundo que não seja o concreto do quarto quadrado.

Então eu pensei por ela, fitei a vida lá fora por ela. Partilhei meus pensamentos às vezes pesados, às vezes leves, às vezes indiferentes aos acontecimentos.

Pensei como janela. Pensando assim fiquei por um indeterminado tempo parado e forte. Eu dividia o mundo de fora com o mundo de dentro. Então me senti a própria janela. Uma bela e transparente janela.

Soraia
Uma linda semana à todos! 
Abra  a  janela e deixe o sol entrar!!

Amara Mourige

sexta-feira, 17 de maio de 2013

As janelas douradas

Histórias de Janelas - nº 6

As janelas douradas
O menino trabalhava arduamente durante todo o dia, no campo, no estábulo e no armazém, pois os pais eram fazendeiros pobres e não podiam pagar a um ajudante. Mas, quando o sol se punha, o pai deixava-lhe aquela hora só para ele. O menino subia ao alto de um morro e ficava a olhar para um outro morro, distante alguns quilômetros. Nesse morro, via uma casa com janelas de ouro e de diamantes. As janelas brilhavam e reluziam tanto que ele era obrigado a piscar os olhos. Mas, pouco depois, ao que parecia, as pessoas da casa fechavam as janelas por fora, e então a casa ficava igual a qualquer outra casa. O menino achava que faziam isso por ser hora de jantar; então voltava para casa, jantava e ia deitar-se. Um dia, o pai do menino chamou-o e disse-lhe:

— Tens sido um bom menino e ganhaste um dia livre. Tira esse dia para ti; mas lembra-te: tenta usá-lo para aprenderes alguma coisa boa.

O menino agradeceu ao pai e beijou a mãe. Em seguida partiu, tomando a direção da casa das janelas douradas.

Foi uma caminhada agradável. Os pés descalços deixavam marcas na poeira branca e, quando olhava para trás, parecia que as pegadas o seguiam, fazendo-lhe companhia. A sombra também caminhava ao seu lado, dançando e correndo, tal como ele. Era muito divertido.

Passado um longo tempo, chegou ao morro verde e alto. Quando subiu ao topo, lá estava a casa. Mas parecia que haviam fechado as janelas, pois ele não viu nada de dourado. Aproximou-se e sentiu vontade de chorar, porque as janelas eram de vidro comum, iguais a qualquer outra, sem nada que fizesse lembrar o ouro.

Uma mulher chegou à porta e olhou carinhosamente para o menino, perguntando o que ele queria.

— Eu vi as janelas de ouro lá do nosso morro — disse ele — e vim de propósito para as ver de perto, mas elas são de vidro!

A mulher meneou a cabeça e riu-se.

— Nós somos fazendeiros pobres — disse — e não poderíamos ter janelas de ouro. E o vidro é muito melhor para se ver através dele!

Convidou o menino a sentar-se no largo degrau de pedra e trouxe-lhe um copo de leite e uma fatia de bolo, dizendo-lhe que descansasse. Chamou então a filha, que era da idade do menino; dirigiu aos dois um aceno afetuoso de cabeça e voltou aos seus afazeres.

A menina estava descalça como ele e usava um vestido de algodão castanho, mas os cabelos eram dourados como as janelas que ele tinha visto e os olhos eram azuis como o céu ao meio-dia. Passeou com ele pela fazenda e mostrou-lhe o seu bezerro preto com uma estrela branca na testa; ele falou do bezerro que tinha em casa, e que era castanho-avermelhado com as quatro patas brancas. Depois de terem comido juntos uma maçã, e se terem tornado amigos, ele fez-lhe perguntas sobre as janelas douradas. A menina confirmou, dizendo que sabia tudo sobre elas, mas que ele se tinha enganado na casa.

— Vieste numa direção completamente errada! — exclamou ela. — Vem comigo, vou-te mostrar a casa de janelas douradas, para ficares a saber onde fica.

Foram para um outeiro que se erguia atrás da casa, e, no caminho, a menina contou que as janelas de ouro só podiam ser vistas a uma certa hora, perto do pôr-do-sol.

— Eu sei, é isso mesmo! — confirmou o menino.

No cimo do outeiro, a menina virou-se e apontou: lá longe, num morro distante, havia uma casa com janelas de ouro e de diamantes, exatamente como ele tinha visto. E quando olhou, o menino viu que era a sua própria casa!

Apressou-se então a dizer à menina que precisava de se ir embora. Deu-lhe a sua melhor pedrinha, a branca com uma lista vermelha, que trazia há um ano no bolso. Ela deu-lhe três castanhas- da-índia: uma vermelha acetinada, outra pintada e outra branca como leite. Ele deu-lhe um beijo e prometeu voltar, mas não contou o que descobrira. Desceu o morro, enquanto a menina ficava a vê-lo afastar-se, na luz do sol poente.

O caminho de volta era longo e já estava escuro quando chegou a casa dos pais. Mas o lampião e a lareira luziam através das janelas, tornando-as quase tão brilhantes como as vira do outeiro. Quando abriu a porta, a mãe veio beijá-lo e a irmãzinha correu a pendurar-se-lhe ao pescoço; sentado perto da lareira, o pai levantou os olhos e sorriu.

— Tiveste um bom dia? — perguntou a mãe.

— Sim! — o menino passara um dia ótimo.

— E aprendeste alguma coisa? — perguntou o pai.

— Sim! — disse o menino. — Aprendi que a nossa casa tem janelas de ouro e de diamantes.

William J. Bennett
O Livro das Virtudes II – O Compasso Moral
Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1996


Amara Mourige    

sábado, 11 de maio de 2013

Através da vidraça de minha janela, abre-se a vista de meu horizonte.

Histórias de Janelas - nº 5

U LUG
DA JANELA, VEJO O MEU LUGAR
Através da vidraça de minha janela, abre-se a vista de meu horizonte.
É meu canto de encanto, visto de meu recanto, neste domingo de pachorra, mandriice.
Vejo as nuvens silenciosas que passam e nelas correm meus sentimentos.
Da janela vejo e sinto os primeiros raios de sol a me acariciar a tez na boa sensação.
Ouço o murmúrio do vento que sopra, vejo a jovem banda de pífaros a passar, sinto à melodia e o perfume do ar.
Vejo a revoada alegre dos pombos a vaguear em voo simultâneo e festivo.
No elevado de minha janela, vejo a copa das arvores em sua verde ramagem convexa, O vermelho inclinado dos telhados e o barulho urbano louco alucinado.
Na linha do horizonte, vejo o límpido formato azul das serras na proeminência dos montes. È lá que o sol no ocaso real se esconde.
Na obscuridade que chega à brisa um pouco mais fresca, sob a claridade dos iluminantes, crianças brincam no asfalto a ignorar o trânsito.
A cortar o silencio da noite, o rumorejo dos passantes, vozes de motores, gritos de buzinas, latidos dos cães, numa mistura de ruídos em pulsar de ressonância e sonoridade.
Do elevado de minha janela, sinto que tudo que nos cerca é o cotidiano da vida, ladeado nas casas e prédios de minha rua, em circulação urbana de diferentes sentimentos.É a harmonia oscilante da dura realidade, ao doce da ilusão a movimentar aqui de meu lugar, a marcha de alguns destinos.

Lufague.


Mamães abram suas janelas e deixem o sol entrar e trazer muita alegria,felicidade,paz e amor!
UM FELIZ DIA DAS MÃES!

Amara Mourige

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Histórias de Janelas 4 - A arte de ser feliz

A arte de ser feliz
Houve um tempo em que minha janela se abria
sobre uma cidade que parecia ser feita de giz.
Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada,
e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde,
e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas.
Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse.
E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.

Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
Outras vezes encontro nuvens espessas.
Avisto crianças que vão para a escola.
Pardais que pulam pelo muro.
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.

Ás vezes, um galo canta.
Às vezes, um avião passa.
Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
E eu me sinto completamente feliz.

Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,
que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem,
outros que só existem diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.
Amara Mourige    

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Você já olhou sua janela hoje????


Você já olhou sua janela hoje????

Um casal recém-casado mudou-se para um bairro muito tranqüilo. Na primeira manhã que passam na casa, enquanto tomavam café, a mulher reparou em uma vizinha que pendurava lençóis no varal e comentou com o marido:

“Que lençóis sujos ela está pendurando no varal! Está precisando de um sabão novo. Se eu tivesse intimidade perguntaria se ela quer que eu a ensine a lavar roupas!”

O marido observou calado. Três dias depois... também durante o café da manhã, a vizinha pendurava lençóis no varal e novamente a mulher comentou com o marido:

“Nossa vizinha continua pendurando os lençóis sujos! Se eu tivesse intimidade perguntaria se ela quer que eu a ensine a lavar as roupas!”

E assim, a cada três dias, a mulher repetia seu discurso, enquanto a vizinha pendurava suas roupas no varal. Passando um mês a mulher se surpreendeu ao ver os lençóis muito branco sendo estendidos, e empolgada foi dizer ao marido:

“Veja, ela aprendeu a lavar as roupas, será que uma outra vizinha lhe deu sabão? Porque eu não fiz nada.”

O marido calmamente respondeu:

“Não, hoje eu levantei mais cedo e lavei a vidraça da nossa janela!”

E assim é... tudo depende da janela através da qual observamos os fatos.

Antes de criticar, devemos verificar se fizemos alguma coisa para contribuir e podemos começar verificando nossos próprios defeitos e limitações.

Você já olhou sua janela hoje????
(autor ignorado) 

Amara Mourige    


quarta-feira, 10 de abril de 2013

Histórias de Janelas 2 - Janelas de hospital

A Janela do Hospital (uma linda história)

Dois homens, seriamente doentes, ocupavam o mesmo quarto em um hospital. Um deles ficava sentado em sua cama por uma hora todas as tardes para conseguir drenar o líquido de seus pulmões. Sua cama ficava próxima da única janela existente no quarto. O outro homem era obrigado a ficar deitado de bruços em sua cama por todo o tempo. Eles conversavam muito. Falavam sobre suas mulheres e suas famílias, suas casas, seus empregos, seu envolvimento com o serviço militar, onde eles costumavam ir nas férias. E toda tarde quando o homem perto da janela podia sentar-se ele passava todo o tempo descrevendo ao seu companheiro todas as coisas que ele podia ver através da janela.

O homem na outra cama começou a esperar por esse período onde seu mundo era ampliado e animado pelas descrições do companheiro. Ele dizia que da janela dava pra ver um parque com um lago bem legal. Patos e cisnes brincavam na água enquanto as crianças navegavam seus pequenos barcos. Jovens namorados andavam de braços dados no meio das flores e estas possuíam todas as cores do arco-íris. Grandes e velhas árvores cheias de elegância na paisagem, e uma fina linha podia ser vista no céu da cidade.

Quando o homem perto da janela fazia suas descrições, ele o fazia de modo primoroso e delicado, com detalhes e o outro homem fechava seus olhos e imaginava a cena pitoresca. Uma tarde quente, o homem perto da janela descreveu que havia um desfile na rua, embora ele não pudesse escutar a música, ele podia ver e descrever tudo.

Dias e semanas passaram-se. Em uma manhã a enfermeira do dia chegou trazendo água para o banho dos dois homens mas achou um deles morto. O homem que ficava perto da janela morreu pacificamente durante o seu sono a noite. Ela estava entristecida e chamou os atendentes do hospital para levarem o corpo embora.

Assim que julgou conveniente, o outro homem pediu a enfermeira que mudasse sua cama para perto da janela. A enfermeira ficou feliz em poder fazer esse favor para o homem e depois de verificar que ele estava confortável, o deixou sozinho no quarto.

Vagarosamente, pacientemente, ele se apoiou em seu cotovelo para conseguir olhar pela primeira vez pela janela. Finalmente, ele poderia ver tudo por si mesmo. Ele se esticou ao máximo, lutando contra a dor para poder olhar através da janela e quando conseguiu fazê-lo deparou-se com um muro todo branco. Ele então perguntou a enfermeira o que teria levado seu companheiro a descrever-lhe coisas tão belas, todos os dias se pela janela só dava pra ver um muro branco?

A enfermeira respondeu que aquele homem era cego e não poderia ver nada mesmo que quisesse. Talvez ele só estivesse pensando em distraí-lo e alegrá-lo um pouco mais com suas histórias.
(Texto de Autor Desconhecido)
Foto daqui:

Em cada janela existem muitos mistérios  que as tornam fascinantes, Histórias de amor, tristezas, alegrias.

Uma vez por semana vou postar uma história sobre janelas.



Amara Mourige    

sábado, 6 de abril de 2013

AS JANELAS.

Em cada janela existem muitos mistérios  que as tornam fascinantes, Histórias de amor, tristezas e alegrias. Janelas  com flores e jardineiras  são encantadoras.Adoro janelas!!
AS JANELAS

AS JANELAS
Quem olha, de fora, através de uma janela aberta, não vê jamais tantas coisas quanto quem olha uma janela fechada.
Não há objeto mais profundo, mais misterioso, mais fecundo, mais tenebroso, mais deslumbrante do que uma janela iluminada por uma vela,O que se pode ver à luz do sol é sempre menos interessante do que o que se passa atrás de uma vidraça. Nesse buraco negro ou luminoso vive a vida, sonha a vida, sofre a vida.
Além das vagas do teto, percebo uma mulher madura, enrugada mesmo, pobre, sempre inclinada sobre qualquer coisa e que nunca sai de casa. Por seu rosto, por seus vestidos, por seus gestos, por quase nada eu refaço a história dessa mulher, oti antes, sua legenda e, às vezes, conto a mim mesmo, chorando, essa história.
Se tivesse sido um pobre velho, eu, também, refaria a dele, facilmente.
E me deito orgulhoso de ter vivido e sofrido nos outros como se fosse em mim mesmo.
Talvez vocês me dirão “Estás certo de que esta fábula seja verdadeira?” Que importa o que possa ser a realidade situada fora de mim, se ela me ajuda a viver, a sentir que existo e o que sou?

 Texto: Charles Baudelaire

Uma vez por semana vou postar uma história sobre janelas.


Amara Mourige